FIC promove a primeira Mostra acadêmica de Experimentações Semióticas
Por Gustavo Campos*
Em uma atividade de integração, a turma da disciplina de Semiótica da Comunicação e Informação, da FIC-Ufam, sob a orientação da professora Mirna Feitoza, de Jornalismo e do professor Felipe Vlaxio, de Biblioteconomia, realizou a primeira Mostra de Experimentações Semióticas no mini auditório Narciso Lobo, no bloco Erasmo Linhares.
O evento inédito serviu como um laboratório prático para os estudantes da FIC, que tiveram a oportunidade de transcender a teoria e aplicar ativamente os conhecimentos e ferramentas semióticas adquiridas ao longo do período letivo. O objetivo central foi desvendar as estruturas de sentido e os significados por trás dos fenômenos comunicacionais presentes no cotidiano.
A Mostra Semiótica demonstrou a amplitude e a interdisciplinaridade do campo. As análises expostas refletiram a diversidade de interesses da turma e a aplicabilidade universal da Semiótica.
Os temas explorados variaram da decodificação da simbologia e da estética por trás de uma artista da música pop contemporânea, até a profunda investigação dos complexos sistemas de signos e da iconografia que sustentam a tradição e o discurso da Igreja Católica. Além disso, a variedade de trabalhos reforçou como a Semiótica é crucial para uma visão crítica sobre o mundo em que vivemos.
Trabalhos apresentados
A acadêmica do sexto período de Jornalismo, Camily Oliveira, produziu uma análise semiótica do movimento Tropicália, um revolucionário fenômeno cultural brasileiro, que floresceu intensamente na década de 1960, e se destacou por sua estética antropofágica, com a mescla de tradições nacionais com tendências de vanguarda internacional.
Para aprofundar a compreensão dos signos, símbolos e discursos da Tropicália, manifestados em música, artes visuais e comportamento, Camily utilizou a Semiótica de linha francesa. Essa abordagem permitiu uma desconstrução metodológica das narrativas e estruturas de sentido do movimento, revelando como a Tropicália se posicionou frente ao cenário político e social da época.
O estudante Bruno Marques, do sexto período de Jornalismo, destacou-se na mostra por aplicar as ferramentas da Semiótica a um dos mais recentes e discutidos fenômenos da cultura pop contemporânea: o álbum “Brat” da cantora britânica Charli XCX.
O trabalho do estudante buscou ir além da simples audição musical, com uma análise semiótica para desvendar as complexidades de camadas e significados na obra. Bruno investigou como a estética visual, as letras das músicas, a comunicação em redes sociais e a persona artística de Charli XCX se articulam como um sistema de signos coeso e intencional.
A análise se concentrou em como o projeto “Brat” não é apenas um conjunto de músicas, mas sim um discurso cultural que dialoga com temas como a nostalgia, a rebeldia, a feminilidade contemporânea e a cultura da internet.
Outros trabalhos apresentados
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